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Brasil critica aumento de tarifas dos EUA e aponta tentativa de “capitulação” econômica

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil são “infundadas” e possuem caráter político. Segundo o chanceler, o aumento das tarifas de importação, que passaram de 10% para 50% dentro da chamada Seção 301, foi uma decisão unilateral de Washington, tomada sem apresentar justificativas técnicas e após meses de negociações diplomáticas.

Em declaração nesta quinta-feira (16), Vieira informou que o governo brasileiro participou de mais de 30 reuniões com representantes americanos e apresentou manifestações formais ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em agosto e setembro de 2025.

O ministro também afirmou que a escalada das tensões teve influência política, citando uma correspondência em que o governo do presidente Donald Trump teria condicionado medidas comerciais ao encerramento de processos judiciais no Brasil envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Para Vieira, a investigação baseada na Seção 301 teria sido utilizada como instrumento de pressão contra o país, com exigências consideradas desproporcionais pelo governo brasileiro. Segundo ele, os Estados Unidos buscavam uma abertura ampla de setores da economia brasileira sem oferecer medidas equivalentes para produtos nacionais.

O chanceler ainda destacou o histórico da relação comercial entre os dois países e afirmou que os Estados Unidos registraram superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos. Ele também ressaltou que, em 2025, cerca de 76% das importações americanas chegaram ao mercado brasileiro com isenção de impostos, incluindo grande parte dos principais produtos exportados pelos EUA.